quarta-feira, 26 de maio de 2010

Jornal de Brasília

Concurso sobre corrupção e fiscalização dos gastos públicos premia trabalho de Cerino
Mala perdida em aeroporto europeu pode provocar pânico, pelo temor de bomba. No Brasil de hoje, mala abandonada é um atrativo para corruptos, especialmente se ela estiver recheada de dinheiro. Numa alusão à crise ética que assola o País, o cartunista Cerino venceu o 5º Salão Nacional de Humor (Sobre Fiscalização dos Gastos Públicos), ontem, em seleção realizada no Hotel Carlton, em Brasília, e cujos 230 trabalhos inscritos serão apresentados a partir de hoje, em exposição no Pátio Brasil Shopping. Com o tema Há malas que vêm pro bem!, o evento teve a participação de cartunistas, chargistas e caricaturistas de todo o Brasil.
Em segundo lugar, foi premiado o trabalho do paulista Custódio (José Custódio Rocha Filho) e em terceiro, o do publicitário mineiro Maurício “Leite” da Silva, da Mais Propaganda. Entre os 230 trabalhos de artistas brasileiros, o Salão trouxe um desenho da Polônia. “Os interessados tiveram um período de 20 dias para se inscrever e mandar, pelo correio, seus trabalhos”, informou José Alves de Sena, diretor da União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), realizadora do evento. Os trabalhos foram expostos ontem ao júri formado por 23 pessoas, entre elas cartunistas, jornalistas e artistas locais.
Depois de observar os desenhos, eles julgaram o traço e o senso de humor dos trabalhos, baseados na temática da corrupção. “Recebemos trabalhos que criticam o nepotismo, os políticos, a corrupção nas igrejas, no futebol e no governo”, disse José Sena. O resultado foi divulgado ontem de manhã, no Hotel Carlton. Pego de surpresa, o vencedor Marcos André Cerino, de Brasília, mais conhecido por seu sobrenome, disse que é uma honra levar o primeiro lugar e os R$ 5 mil para casa. “Participo de salões de humor em todo o Brasil.
Em Brasília, não é o meu primeiro prêmio, mas é a primeira vez que ganho o primeiro lugar”, comemorou Cerino. Cartunista e chargista desde 1983, Cerino começou sua carreira no Jornal de Brasília. “Hoje tenho meu próprio site e faço charges e cartoons para jornais independentes e associações”, contou. Sentindo-se realizado, Cerino disse que sua profissão é a melhor forma de demonstrar sua indignação com a situação do País. “Por meio do humor crítico faço um protesto pessoal. Tento alertar a população, que muitas vezes não tem consciência de que está sendo lesada”.
O segundo lugar levou para casa R$ 3 mil e o terceiro R$ 2 mil. Durante a seleção, cartunistas da cidade falaram sobre a importância do evento. “É uma oportunidade muito boa para os artistas da área. Há trabalhos de todos os níveis e de muita qualidade”, afirmou o artista plástico brasiliense Gougon. Para ele, as questões plásticas e estéticas casaram bem com o tema da corrupção. O jornalista Guido Heleno também elogiou os desenhos. “O humor gráfico tem por objetivo estabelecer uma comunicação com o público. Acho que os trabalhos aqui expostos conseguiram alcançar esse alvo”, disse. Guido ressaltou que é fascinante o poder que as charges, as caricaturas, os cartoons e as tiras de humor têm, de alcançar a todas as idades. “Todos entendem a informação, seja a pessoa criança, adulto, idoso, pobre ou rica”.
De acordo com o chargista e cartunista Rock Lane, assuntos polêmicos muitas vezes são esclarecidos pelo desenho e o humor. “O referendo contra a proibição de armas é um exemplo. Às vezes, a população não se dá conta dos benefícios e malefícios do sim e do não, que podem ser esclarecidos e informados por uma charge ou um cartoon”, conclui. Durante a exposição dos trabalhos no Pátio Brasil Shopping, de hoje até o dia 23, haverá um júri popular para escolher os melhores trabalhos.
O público poderá escolher seu desenho predileto e votar. No mesmo ambiente, será montada uma mostra paralela com os trabalhos do cartunista Jaguar, criador do Pasquim, para homenageá-lo. O artista escolhido pelo voto popular receberá um prêmio no valor de R$ 1 mil. Depois da exposição, a Unacon produzirá catálogos para realizar mostras em universidades de todo o País. “Mostramos que alguém está tentando fazer um humor de qualidade sobre os gastos públicos”, afirmou José Alves. A Unacon foi criada, em 1988, com o objetivo de representar uma das carreiras de servidores públicos federais do Ministério da Fazenda: Carreira Finanças e Controle, atualmente da Controladoria-Geral da União da Presidência da República. Esses servidores são responsáveis pelo controle e a fiscalização dos gastos do Poder Executivo Federal.
JORNAL DE BRASÍLIA - 2005

Correio Braziliense

Economia para crianças
Sempre foi muito complicado introduzir conceitos de economia e finanças para as crianças. Sem falar que é um assunto assustador até mesmo para certos adultos, que não se dão muito bem com números e contas. Agora, esse problema está resolvido. O economista Mauro Nogueira, o ilustrador e artista plástico Andre Cerino, o escritor e numismata Itamar Rabelo, o economista, escritor e professor de finanças Victor José Hohl são os autores da coleção Na ponta da língua. São livros com uma divertida e adequada linguagem para crianças e adolescentes, abordando esse tema. Os pequenos farão mergulho no mundo da economia, desvendando segredos da moeda, da história econômica, da poupança, dos impostos, bancos e bolsa de valores. Os autores fazem palestras pelas escolas que lhes solicitam os préstimos, introduzindo de forma divertida os livros, que têm uma apresentação muito atraente. Nas livrarias Nobel, podem ser encontrados todos os exemplares.
Uma graça!
CORREIO BRAZILIENSE - 2004

Jornal Sindilegis DF

28/10/2009 15:09:45
Arte, literatura e música
Instituto Camões promove evento nesta quarta-feira que contará com André Cerino
Um dos mais fecundos artistas plásticos da capital brasileira, André Cerino (foto), abre mostra de trabalhos em acrílica e esculturas na Embaixada de Portugal. Também será autografado o livro A Saúde da Água para o Vinho, e será lançado em Brasília o vinho Monte Paschoal. Tudo isso ao som do grupo Sai da Frente.


André Cerino 

O artista plástico André Cerino inaugura a individual 25 Anos de Arte, às 20 horas desta quarta-feira 28, no Centro Cultural do Instituto Camões, na Embaixada de Portugal, no Setor de Embaixadas Sul (SES), Avenida das Nações, Quadra 801, Lote 2. A exposição permanecerá aberta até 5 de novembro, das 9 às 17 horas.

Será também autografado o livro A Saúde da Água para o Vinho (Thesaurus Editora, Brasília, 2009, 205 páginas), do dr. Marcio Bontempo, com prefácio do poeta e jornalista Heitor de Andrade, e lançado em Brasília o vinho Monte Paschoal, premiado com duas medalhas de ouro de qualidade, na décima-sétima edição da Avaliação Nacional de Vinhos, Safra 2009.

Ainda, o evento contará com a apresentação do grupo Sai da Frente: Victor, Angéleas, Vinícius Vianna e Eduardo Júnior, membros do Clube do Choro.

Sobre o artista
         
André Cerino está completando 25 anos como artista plástico, de modo que sua exposição, 25 anos de Arte, reunirá trabalhos em acrílica, de diversas fases da sua pintura, e esculturas. Cerino é um dos mais produtivos artistas brasilienses. Pintor, escultor, cartunista, chargista, ilustrador, artista gráfico e web designer, nasceu no Recife, a fovista capital de Pernambuco, em 10 de setembro de 1964. Em 1983, aos 19 anos, mudou-se para Brasília. Nos últimos 25 anos, além de se dedicar à pintura, tem ilustrado livros, jornais e revistas.

É autor das capas de três livros de Ray Cunha: O Lugar Errado (Editora Cejup, Belém, 1996, romance), Trópico Úmido (edição do autor, Brasília, 2000, contos) e O Casulo Exposto (LGE Editora, Brasília, 2008, contos), título que está no mercado, à venda nas lojas e sites das redes de livrarias Saraiva, Cultura e Leitura.

O artista já participou de várias exposições individuais e coletivas, e de salões de arte e de humor no Brasil e no exterior. Nos anos de 1980, foi destaque nas 90 horas de pintura contemporânea, a maior maratona de artes plásticas realizada no país.

Entre os prêmios que já ganhou como cartunista, destacam-se: Menção Honrosa no III Salão de Humor de Minas Gerais, segundo lugar no IV Salão de Humor de Minas Gerais, Menção Honrosa no II Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos (Unacon), terceiro e primeiro lugarares do júri popular no III Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos e primeiro lugar no V Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos.

Cerino também tem trabalhos publicados no Catalogue from III International Satirical Contest - Karpik 2005/Niemodlin-Polônia. Como artista plástico, entre vários prêmios e menções honrosas que ganhou, destaca-se o primeiro lugar no III Salão Nacional de Artes Plásticas do Iate Clube, Brasília-DF. Também é premiado em concursos de logomarcas e campanhas publicitárias.

"Quando estou diante de uma tela em branco fico imaginando que ela é a cortina de um teatro e que será aberta a qualquer momento, e eu, como artista e espectador, espero ser surpreendido pelo que vou ver. Minha ansiedade é tanta que fecho os olhos para imaginar o que virá por trás daquela lona. Como espectador, fico torcendo para que seja uma coisa maravilhosa e que possa transformar o meu estado de humor e trazer algo de bom para a minha vida. Como artista, procuro desorganizar o pensamento e improvisar os movimentos, que fogem ao meu controle. Não sei exatamente o que vou fazer, simplesmente busco o novo, intuitivo. Isso porque, quando há um planejamento, perde-se a surpresa. E necessito da surpresa para produzir a minha arte. A cortina se abre; começa, então, o diálogo. Muitas vezes, o espectador se encontra diante da obra com um olhar intrigante, questionando e tentando encontrar comparações com as imagens do mundo real. À medida que olha para o quadro mais de uma vez não existe mais aquela surpresa, mas a cumplicidade, pois as imagens captadas pelos olhos começam a fazer parte do universo da pessoa. Da mesma forma, quando outro espectador olhar o trabalho pela primeira vez também será surpreendido" - expressa o pintor.

E arremata: "Tento causar esse estranhamento com a minha arte, mantendo um constante diálogo com o público. Não conduzo a arte, deixo que ela me conduza. Nesse processo, eu me considero tão espectador quanto criador. O que não é mais novo para mim será novo para quem nunca viu aquela obra. Fiquei surpreso com Guernica, de Pablo Picasso, mesmo sabendo que milhões de pessoas já a tinham visto. A guerra é uma horrível criação humana, mas o que vi naquela obra não era guerra: Picasso pintou a dor. Mesmo o que conhecemos pode ser novo, dependendo da nossa imaginação. O olhar sobre as coisas é o que nos diferencia uns dos outros. Criar é a mais sublime das capacidades humanas. Quando criamos, damos a nós mesmos a medida da nossa existência. Diante de uma criação, o homem não vê o criador, mas a si mesmo. Todo homem é capaz de criar e dar à sua criação a importância que merece, desde que canalize suas idéias para um bem comum e que deixe de lado seus preconceitos sobre as coisas que existem. Minhas obras não me pertencem. Pertencem a todos os que buscam, através do olhar, a liberdade de ver o mundo com olhos de criança". 

Jornal Tribuna do Brasil

29/12/2009
André Cerino faz homenagem ao cinquentenário
RICARDO MARQUES

Artista gráfico quer ver suas obras expostas em locais abertos

Veruchka Fabre

Quem não conhece André Cerino? Um dos maiores artistas gráficos do Distrito Federal. Pernambucano radicado em Brasília desde os seus 17 anos, pretende ano que vem fazer uma exposição em homenagem ao cinqüentenário de Brasília. O projeto Cariscaturas, ainda não tem data definida, a única coisa que o artista deseja para este trabalho é que suas obras sejam expostas em lugares abertos e não em galerias.
Em entrevista exclusiva com a Tribuna do Brasil, André Cerino conta sua história e revela seus projetos para 2010. “Decidi ser artista aos meus 15 anos. E em parte devo isso ao meu avô. Ele era arquiteto e queria que eu seguisse sua carreira. Ele que me dava material para que eu começasse a produzir e me interessar pelo desenho. E foi a partir disso que comecei a me apaixonar pela arte”, revelou.
Cerino diz que nos momentos em que estava produzindo sentia que a arquitetura o prendia bastante. “Gostava do que fazia. Já sabia que o desenho era a minha paixão, mas não me sentia livre. A partir daí comecei a estudar alguns artistas. Saia do colégio, em Recife e ia a pé até a Biblioteca Pública da cidade. Lá passava horas. E decidi que para eu fazer meus desenhos livremente deveria ser artista. E foi a partir daí que tudo começou”, explicou.
Cerino resolveu estudar, pois viver só da arte não dava. Mas queria fazer algo que permanecesse dentro da profissão de artista. “Fiz cursos de desenho para aperfeiçoar a técnica, saber me expressar melhor através dos desenhos. Cheguei em Brasília com 17 anos e nessa época já fazia charges/ cartoon. Apresentei meu trabalho ao Jornal de Brasília, mas como era muito jovem não podia ser o cartunista do jornal, então me colocaram para trabalhar no departamento de artes, eu era responsável pela criação dos anúncios publicitários”, argumentou.
Cerino trabalhou neste jornal cerca de 3 anos, quando surgiu a primeira divergência na profissão. “Com quase 19 anos fiz uma charge para o jornal. O editor tinha aprovado, mas na hora de mandar para a publicação resolvi fazer algumas mudanças. Essas mudanças não foram bem aceitas pelo governo na época e tive que sair fugido da capital (risadas). Fiquei na casa de minha mãe um mês. Quando retornei não tinha, mas meu emprego e ai fui para a periferia”, afirmou.
“Estava livre novamente. Comecei a trabalhar para os sindicalistas, para os trabalhadores, isso me motivou bastante pois eu fazia parte deles. Comecei a publicar meus trabalhos em jornais alternativos da época e meu nome começou a ficar conhecido na cidade. Meus cartonns e minhas charges estavam em todas as manifestações dos trabalhadores. Me sentia um Hobby Hood”, comentou.
Nesta época, Cerino foi convidado para trabalhar em alguns jornais da cidade. “Mesmo estando em jornais de peso continuava a colaborar com jornais menores. Em paralelo estava trabalhando como artista plástico. Fui selecionado para participar das 90 horas de Pintura Contemporânea. Pintei 13 telas. Depois participei de mais duas maratonas. A partir daí resolvi me declarar como pintor”, disse.
“Depois partir para um dos maiores desafios de minha carreira. Decidir fazer esculturas. Para mim era muito complexo ser escultor, eu achava que nunca conseguiria. E agora estar finalizando o Carisculturas é muito gratificante. Eu achava complicado, pois no desenho a imagem é em 2D a escultura é em 3D”, relatou.
Cerino fez diversos cursos de escultura com barro, mas não ficou satisfeito com nenhum, pois o produto final de amostra sempre era uma xícara, um prato entre outros. “As coisas que fazíamos nos cursos eram muito pobres, em se tratando de riquezas de detalhes. Um dos professores que tive resolveu organizar um grupo e contratar umas modelos para que nós pudéssemos fazer as esculturas delas. Gostei do resultado, mas não me sentia criando e sim copiando. Então decidi não usar modelos e sim a minha imaginação. Pois a fotografia já fazia o papel de copiar eu queria ultrapassar este limite. E ai esta o resultado”, desabafou.
Pretendo expor as minhas carisculturas ano que vem, em homenagem aos 50 anos da cidade. Não quero este trabalho preso as galerias. Quero fazer várias exposições em lugares abertos ao público, como se fosse uma exposição itinerante. Já tenho convite para também expor no Rio de Janeiro. Mias de cem personalidades farão parte deste meu novo trabalho. Tenho certeza que esta exposição será um sucesso”, concluiu.