29/12/2009
André Cerino faz homenagem ao cinquentenário
RICARDO MARQUES
Veruchka Fabre
Quem não conhece André Cerino? Um dos maiores artistas gráficos do Distrito Federal. Pernambucano radicado em Brasília desde os seus 17 anos, pretende ano que vem fazer uma exposição em homenagem ao cinqüentenário de Brasília. O projeto Cariscaturas, ainda não tem data definida, a única coisa que o artista deseja para este trabalho é que suas obras sejam expostas em lugares abertos e não em galerias.
Em entrevista exclusiva com a Tribuna do Brasil, André Cerino conta sua história e revela seus projetos para 2010. “Decidi ser artista aos meus 15 anos. E em parte devo isso ao meu avô. Ele era arquiteto e queria que eu seguisse sua carreira. Ele que me dava material para que eu começasse a produzir e me interessar pelo desenho. E foi a partir disso que comecei a me apaixonar pela arte”, revelou.
Cerino diz que nos momentos em que estava produzindo sentia que a arquitetura o prendia bastante. “Gostava do que fazia. Já sabia que o desenho era a minha paixão, mas não me sentia livre. A partir daí comecei a estudar alguns artistas. Saia do colégio, em Recife e ia a pé até a Biblioteca Pública da cidade. Lá passava horas. E decidi que para eu fazer meus desenhos livremente deveria ser artista. E foi a partir daí que tudo começou”, explicou.
Cerino resolveu estudar, pois viver só da arte não dava. Mas queria fazer algo que permanecesse dentro da profissão de artista. “Fiz cursos de desenho para aperfeiçoar a técnica, saber me expressar melhor através dos desenhos. Cheguei em Brasília com 17 anos e nessa época já fazia charges/ cartoon. Apresentei meu trabalho ao Jornal de Brasília, mas como era muito jovem não podia ser o cartunista do jornal, então me colocaram para trabalhar no departamento de artes, eu era responsável pela criação dos anúncios publicitários”, argumentou.
Cerino trabalhou neste jornal cerca de 3 anos, quando surgiu a primeira divergência na profissão. “Com quase 19 anos fiz uma charge para o jornal. O editor tinha aprovado, mas na hora de mandar para a publicação resolvi fazer algumas mudanças. Essas mudanças não foram bem aceitas pelo governo na época e tive que sair fugido da capital (risadas). Fiquei na casa de minha mãe um mês. Quando retornei não tinha, mas meu emprego e ai fui para a periferia”, afirmou.
“Estava livre novamente. Comecei a trabalhar para os sindicalistas, para os trabalhadores, isso me motivou bastante pois eu fazia parte deles. Comecei a publicar meus trabalhos em jornais alternativos da época e meu nome começou a ficar conhecido na cidade. Meus cartonns e minhas charges estavam em todas as manifestações dos trabalhadores. Me sentia um Hobby Hood”, comentou.
Nesta época, Cerino foi convidado para trabalhar em alguns jornais da cidade. “Mesmo estando em jornais de peso continuava a colaborar com jornais menores. Em paralelo estava trabalhando como artista plástico. Fui selecionado para participar das 90 horas de Pintura Contemporânea. Pintei 13 telas. Depois participei de mais duas maratonas. A partir daí resolvi me declarar como pintor”, disse.
“Depois partir para um dos maiores desafios de minha carreira. Decidir fazer esculturas. Para mim era muito complexo ser escultor, eu achava que nunca conseguiria. E agora estar finalizando o Carisculturas é muito gratificante. Eu achava complicado, pois no desenho a imagem é em 2D a escultura é em 3D”, relatou.
Cerino fez diversos cursos de escultura com barro, mas não ficou satisfeito com nenhum, pois o produto final de amostra sempre era uma xícara, um prato entre outros. “As coisas que fazíamos nos cursos eram muito pobres, em se tratando de riquezas de detalhes. Um dos professores que tive resolveu organizar um grupo e contratar umas modelos para que nós pudéssemos fazer as esculturas delas. Gostei do resultado, mas não me sentia criando e sim copiando. Então decidi não usar modelos e sim a minha imaginação. Pois a fotografia já fazia o papel de copiar eu queria ultrapassar este limite. E ai esta o resultado”, desabafou.
Pretendo expor as minhas carisculturas ano que vem, em homenagem aos 50 anos da cidade. Não quero este trabalho preso as galerias. Quero fazer várias exposições em lugares abertos ao público, como se fosse uma exposição itinerante. Já tenho convite para também expor no Rio de Janeiro. Mias de cem personalidades farão parte deste meu novo trabalho. Tenho certeza que esta exposição será um sucesso”, concluiu.

BOA NOITE! GOSTARIA DE SABER SE SENHOR ANDRÉ
ResponderExcluirCERINO É PARENTE DO SR ATTILIO CERINO JORNALISTA E ESCRITOR RESIDE EM SÃO PAULO.